Newton Goto

o cowboy da malboro morreu de câncer no pulmão

14 – EPA!

A EPA! – Expansão Pública do Artista – é uma entidade propositora e realizadora de pesquisas históricas, textos e publicações, curadorias, organização de eventos e vivências, tendo como foco a atividade artística. Atua pautada pela busca de conteúdos e reflexões de interesse coletivo, para além do exercício da linguagem artística individual, ainda que desta faça uso na criação das identidades gráficas de cada proposta, algumas das quais feitas também em conjunto com outros artistas. Na realização dos projetos a EPA! estabelece parcerias com pessoas e instituições, potencializando-se e flexibilizando-se na estratégia de relacionamento e no contato com o público, e coletivizando-se ainda mais durante esse processo. Sendo a princípio uma performance-manifesto sobre o artista como um agente político, a EPA! efetivou-se como promotora do encontro coletivo e de trocas culturais, em 10 de novembro de 2001, com o evento Uôrk-Xók.

Projetos realizados pela EPA!:
- Circuitos Compartilhados, diversas cidades, desde 2008;
- Galerias Subterâneas, Curitiba, 2008;
- Circuitos em vídeo, diversas cidades, 2005-2008;
- 2.a Edição do Rede Nacional de Artes Visuais: curadoria, organização e produção regional no Paraná em parceria com o Festival de Inverno da UFPR, em Antonina-PR; 2006.
- Encontro com Bill Lundberg e Regina Vater, Casa Andrade Muricy, Curitiba, 2006.
- Transrritórios, no Arte 5, Curitiba, 2003.
- Paranáparapostepara, Galeria do Poste (Niterói) e BetoBatata (Curitiba); 2002.
- Vide o Vídeo, Cinemateca de Curitiba, 2002.
- Artista, parla!, Funarte/Açúcar invertido, Rio de Janeiro, 2002.
- Pojeto Superagüi, Superagüi 2000/2002; Beto Batata, Curitiba, 2002; Paraty, 2004.
- Carasgráficos, UFPR, Curitiba, 2002.
- Uôrk-Xók, TUC, Curitiba, 2001.

O fluxo EPA! materializa-se em diferentes acontecimentos – a partir de cada contexto investigado – e em diferentes lugares de realização – conforme a singularidade de cada rede de parcerias articulada. Complementarmente, três corpos dão suporte ao fluxo: o Arquivo EPA!; o Espacial EPA!; e o CNPJ. O Arquivo é consequência das atividades de pesquisa e produção, é a dimensão da memória coletiva, fonte contínua de consulta, articulação crítica, histórica e sígnica. Assim, o Arquivo existe desde a fundação da prórpia entidade EPA!, em 2001. O Espacial é a extensão dimensional do primeiro habitat (além do próprio corpo) do orientador de fluxos da EPA!, pois, na condição de ser o lugar onde vive, o domicílio abarca possibilidades de ser também, em momentos oportunos, um espaço para trocas artísticas e culturais. A partir de 2008 intensificou-se a necessidade de melhor identificação dessa condição espacial da EPA!, como local para hospedar algumas de suas realizações e parcerias. O CNPJ passou a ser, desde 2010, um facilitador de trânsito e diálogo junto a instâncias institucionais, além de ser um instrumento redutor de impostos sobre serviços prestados.

Abaixo, imagens e sinopses relativas a algumas das realizações da entidade, seguidas ainda das referências a alguns textos publicados enquanro EPA!:


Circuitos Compartilhados:
A mostra de vídeo Circuitos Compartilhados teve sua estréia em 2005, em Curitiba, no ACT, com o nome Circuitos em Vídeo. O acervo de filme e vídeo iniciou em 2002, com a mostra Vide o vídeo, que oportunizou a incorporação do primeiro programa ao atual acervo, o Arquivo Bruscky. O contexto associa-se às práticas dos coletivos de artistas, arte de ativismo cultural, ações colaboracionistas em arte, espaços alternativos, etc, ou seja, diversos tipos de iniciativa onde o artista se coloca não só como o fazedor da obra como também como o mediador do diálogo dela com o público.
O projeto agrega uma importante produção transgeracional e oportuniza o acesso a material de relevância para a reflexão crítica sobre o(s) circuito(s) artístico(s) brasileiro(s), inclusive produções raras e inéditas. O repertório de ideários presente no acervo a tornam a mais abrangente coleção do gênero, no sentido contextual, quantitativo e de articulação histórica.
O compartilhamento:
Ao circular por algumas cidades brasileiras (Curitiba, Londrina, Rio de Janeiro, Maceió, São Paulo, Antonina/PR, Recife, Brasília) o acervo da mostra teve novos conteúdos agregados tornando-se ainda maior e mais complexo. Tornou-se crescente também o interesse dos diversos parceiros do projeto em acessar cópias do material. Assim, uma proposta de compartilhamento da coleção foi encaminhada ao Edital Arte e Patrimônio – 2007 (uma parceria do IPHAN / Ministério da Cultura / Petrobras), voltado à arte contemporânea. O acervo foi atualizado e compartilhado entre os participantes, pesquisadores, museus e instituições culturais públicas do Brasil e algumas do exterior: 150 coleções com 35 DVDs cada, 44h35’25” de programação com 225 títulos em vídeo e filme associados a 87 ações de circuitos artísticos ocorridos no Brasil entre os anos 70 e a atualidade organizados em 20 programas.
Considerando as mostras antecessoras Vide o vídeo (2002) e Circuitos em vídeo (2005-2008), Circuitos Compartilhados já teve mais de 30 exibições, em 18 cidades de 10 Estados brasileiros, e algumas do exterior (considerando somente as realizações conduzidas ou co-organizadas pelo coordenador do projeto).


Entre artistas, coletivos de artistas e ações artísticas coletivas, participam do acervo Circuitos Compartilhados:
Paulo Bruscky; Cildo Meireles / Wilson Coutinho; ArtShow / Sensibilizar / Sérgio Moura; Nervo Óptico; Anos 80 no Recife; ASSINTÃO / Hélio Leites; Torreão; NBP + EuVocê / Ricardo Basbaum; GPCI – Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos; CEP 20.000; Areal & Arena; Perdidos no Espaço; CEIA – Centro de Experimentação e Informação em Arte; Maurício Dias & Walter Riedweg / Fabiana Werneck / Marco del Fiol / VideoBrasil; Desligare; Comunidade, ativismo e a cena dowtown – um documentário independente sobre a cena experimental de Nova York; Arte de Portas Abertas / Chave Mestra; Catadores de histórias; Cia Cachorra; Frente 3 de Fevereiro; Guilherme Vaz; Ideário; Paredes Pinturas: Mônica Nador & Lumila Ferolla; Projeto Matilha; Revelando Olhares dos Moradores da Ilha do Mel; Martha Niklaus; Ricardo E. Machado; Menossão; Alexandre Vogler; Aparelho; A Revolução Não Será Televisionada; Atrocidades Maravilhosas; Bijari; InterluxArteLivre; noninoninono; PhP; Ystlingue; Orquestra Organismo; FVCB – Fundação Vera Chaves Barcellos; Obra Aberta; O Palhaço Leigo; Super Loja Show; ACT; Clóvis Dariano; Cristo Vermelho – Ducha / Frã / Laura Lima; EIA – Experiência Imersiva Ambiental; E/Ou; Fundação do Museu do Poste; Laura Miranda e Denise Bandeira; Luís Andrade; Goto; GIA – Grupo de Interferência Ambiental; Grupo Entorno; Grupo Laranjas; Grupo P.O.I.S.; Grupo Poro; Grupo Rradial; Grupo Urucum; Jarbas Lopes; Márcio Almeida; Rés do Chão; Ronald Duarte; Rosana Ricalde e Felipe Barbosa; Rubens Mano; spmb (Eduardo Aquino & Karen Shanski); TCAS – Giordani Maia; Teatro Monótono; Carlos Henrique Túllio, Vera Chaves Barcellos; Acervo Casa Hoffmann; Ações Coletivas / Rubens Pileggi; Dia do Nada; Cabelo & Jarbas Lopes / Dado Amaral e Beto Valente; Cristiane Bouger; Couve-flor – Mini-comunidade Artística Mundial; Cuquinha; GIRA; Grupo EmpreZa; Luciana Costa; Marssares; O Mergulho; Polavra; Bicicletada; Telephone Colorido; Wagner Malta Tavares; Zaratruta; Política do Dissenso.


Para informações mais detalhadas, ver website do projeto:

http://circuitoscompartilhados.org/wp/

Cartaz do Galerias Subterâneas

Cartaz do Galerias Subterâneas

Galerias Subterrâneas
Projeto de arte de intervenção urbana em Curitiba realizado entre 09/05 a 01/06/2008, em 6 terminais de ônibus da cidade, especificamente naqueles que possuem passagens subterrâneas: Cabral, Campina do Siqueira, Campo Comprido, Capão Raso, Pinheirinho e Hauer. Os artistas e coletivos de artistas foram convidados a inscreverem seus trabalhos a partir de situações originadas ou adaptadas às especificidades do lugar e de seus fluxos humanos. Os artista e grupos propositores de intervenções foram: Rubens Mano, Alexandre Vogler, Marssares, Lourival Cuquinha, e os coletivos de artistas Bijari, InterluxArteLivre e E/Ou. Um bate-papo com os artistas realizou-se na sala Scabi do Museu da Gravura Cidade de Curitiba, dia 09/05, entre 19h e 22h. O projeto foi selecionada no edital Conexão Artes Visuais promovido pelo do MinC (Ministério da Cultura), Funarte (Fundação Nacional de Arte) e Petrobras e contou com apoio, em Curitiba, da Prefeitura de Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, URBS e BrasilTelecom, além de apoios complementares do Green Life Restaurante Naturista, Cozinha da Ritinha, Diamante Transportes, E/Ou e EPA!


Inventando bandeiras para Speragüi

Inventando bandeiras para Speragüi

Projeto Superagüi
(Curitiba e Superagüi-PR, Parati-RJ; desde 2000).
Proposta de confecção de produtos artísticos junto com a comunidade tradicional de pescadores da ilha de Superagüi, no litoral norte do Paraná. Com esses produtos pretende-se gerar receita a ser reinvestida em projetos culturais na própria localidade. Como primeiro resultado dessa proposta, em 2003 foi editado um livreto (editado por Robert Amorim e Espaço Cultural BetoBatata), que teve parte da edição distribuída à comunidade; e montou-se uma exposição, a qual circulou em Curitiba e Parati-RJ e que está também para ir à Superagüi. O desenho “Inventando bandeiras para Superagüi” participou da Exposição bandeiras do Brasil, no Museu da república – RJ, em 2003.


Cartaz da Vide o Vídeo

Cartaz da Vide o Vídeo

Vide o Vídeo
(Cinemateca de Curitiba, 2002)
Mostra de vídeo sobre artes plásticas que exibiu algumas coleções institucionais do gênero, a exemplo da “Coleção RioArte Vídeo / Arte Contemporânea” e da Coleção do “Investigações – O Trabalho do Artista” do Itaú Cultural. Foram exibidas também coleções particulares do recifence Paulo Bruscky a partir de seu “Arquivo Bruscky”, incluindo sua própria filmografia e as coletâneas e filmes “Vídeo Arte Brasil”, “New Art Medium” e “FluxFilm Anthology”. Realizaram-se também duas mesas-redondas, nas quais estiveram presentes Paulo Bruscky, Glória Ferreira, Cristina Freire, Anna Bella Geiger, Claudia Saldanha, e Roberto Cruz. O projeto foi realizado através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba e os títulos exibidos foram doados pelo projeto à Cinemateca de Curitiba, constituindo assim, à época, a maior coleção de audiovisual focada em artes plásticas no Paraná, e uma das mais representativas do Brasil.


Artista, parla!

Artista, parla!

Artista, parla!
(Rio de Janeiro, 2002)
Debate e roda de papo sobre Arte e Instituição, promovido na FUNARTE, dentro do
acontecimento Açúcar Invertido. coordenado por Edson Barrus.


Cartaz e capa do folder Carasgráficos

Cartaz e capa do folder Carasgráficos

Carasgráficos
(Sala Arte, Design & Cia e Auditório do edifício Dom Pedro I, UFPR, Curitiba, 2002) Evento organizado em parceria com o programa “O Artista na Universidade”.
Encontro, pesquisa e exposição sobre jornais e revistas de arte editadas em Curitiba a partir dos anos 70, a exemplo dos jornais Anexo, Pólo Cultural e Nicolau, e das revistas Raposa, Gráfica e Medusa, entre outros. Foi editado um informativo junto à UFPR. Participaram das mesas redondas alguns dos editores dessas importantes iniciativas, como Reynaldo Jardim, Ricardo Corona, Eric Straub, Fernando Karl, e Gilson Camargo, além do convidado carioca Helmut Batista, editor do Jornal Capacete.


Cartaz do Uôrk-Xók

Cartaz do Uôrk-Xók

Uôrk-Xók
(TUC – Teatro Universitário de Curitiba, 2001)
Encontro de 10 horas no qual foram realizadas mesas redondas, mostra de vídeo e exposição de documentos associados a “circuitos artísticos independentes” empreendidos em Curitiba a partir de 1969. Participaram alguns dos principais empreendedores desses circuitos, como Adalice Araújo, Eliane Prolik, Denise Bandeira, Laura Miranda, Sergio Moura, Lauro Andrade, Ana González, Carlos Henrique Tullio, Kátia Horn, Alex Cabral, Sandro Ribas e Didonet Thomaz. Houve também uma participação especial de Arthur Barrio numa entrevista em “viva voz” por telefone. O encontro foi decorrente da pesquisa denominada “Situação PR 69/01…ndo…: curtos-circuitos, arte fora da rede oficial e fontes alternativas de criação”, posteriormente publicada em jornais de Curitiba e Rio de Janeiro.


Textos publicados, enquanto EPA!
Anterior ou complementarmente aos eventos realizados pela epa! são também realizadas pesquisas e publicações de textos, gerando o lastro histórico e conceitual de cada uma das propostas. Com essa filosofia de trabalho foram publicados:

- Da paisagem-trouvé ao território inventado: observações sobre os circuitos de arte contemporãnea no Brasil. Revista Tatuí 00, Recife, 2010; Revista Global Brasil online, 2011.
-
Sentidos (e circuitos) políticos da arte, publicado no site Rizoma.net; na revista Primeira Pessoa, editada em João Pessoa; na publicação Surface TensionSuplement 1 (Califórnia – EUA); no livro Arte Brasileira Contemporânea: documentos e críticas (MinC, com organização de Glória Ferreira. No prelo); e no Catálogo de Sinopses / Guia de Contextos Circuitos Compartilhados (MinC / IPHAN / Petrobras / Paço Imperial / Epa!).
-
Circuitos Compartilhados. Catálogo de Apresentação e Catálogo de Sinopses / Guia de Contextos. Edital Arte e Patrimônio 2007: MinC / IPHAN / Petrobras / Paço Imperial / EPA!. Curitiba: EPA!, 2008.
- Circuitos heterogêneos. Anais do X Encontro do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da EBA-UFRJ. Rio de Janeiro: 2005.
- Revistas de arte: biopolíticas em mídias gráficas. In: FERREIRA, Glória, VENÂNCIO FILHO, Paulo, (Org.). Revista Arte & Ensaios nº 10. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2002.
- CARASGRÁFICOS. Texto publicado no folder da Exposição na Sala Arte & Design. Curitiba: Imprensa Universitária, UFPR, 2002.
- Situação PR 69/01…ndo…: curtos-circuitos, arte fora da rede oficial e fontes alternativas de criação. Texto sobre “circuitos artísticos independentes” no Paraná, publicado em 3 partes, nos dias 16, 23 e 30 de dezembro de 2001 no Caderno G do jornal Gazeta do Povo, Curitiba. E nos 3 primeiros números do Jornal Capacete, Rio de Janeiro, 2001 e 2002.

- Textos sobre “programações e espaços artísticos independentes” no Brasil, todos publicados no Caderno G do Jornal Gazeta do Povo, Curitiba, em 2001.
. Arte ao redor – texto sobre a 3º edição Prêmio Interferências Urbanas, projeto Arte de Portas Abertas realizado no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro. Artigo de 5 de ago. de 2001. Há ainda uma entrevista com Julio Castro, um dos coordenadores do projeto. (Texto também publicado no catálogo do Projeto Interferências Urbanas / Arte de Portas Abertas, em julho de 2001, no Rio de Janeiro);
. No bonde das artes de Santa Teresa – texto sobre o projeto Arte de Portas Abertas. Artigo de 8 abr. de 2001. (Também publicado no catálogo do Projeto Interferências Urbanas / Arte de Portas Abertas, em junho de 2001, Rio de Janeiro);
. Onde o que fica parado não é poste – texto sobre a Galeria do Poste, em Niterói. Artigo de 11 mar. 2001. (Há também uma entrevista com Ricardo Pimenta, idealizador e um dos coordenadores da Galeria do Poste);
. A juventude chama a jogada para si – texto sobre a 2ª Bienal da UNE, no Rio de Janeiro. Artigo de 20 fev. 2001. (Há também uma entrevista com Priscila Lolata e Luís Parras, coordenadores de arte do evento)

- Mistérios de um lugar comum, texto sobre a obra de Cildo Meireles e entrevista com o artista. Caderno G, Gazeta do Povo, Curitiba, 13 de ago. 2000.


OBS.:
Quase todos os textos aqui enunciados estão disponibilizados na página “Textos‘ deste website.


Apoios a iniciativas de outros artistas
Em 2006 a Epa! apoiou financeiramente a edição e realização dos vídeos Dia do Nada 2006, de Rubens Pileggi e Leonardo Lucas e também o filme Comunidade, ativismo e a cena dowtown – um documentário independente sobre a cena experimental de Nova York, de Cristiane Bouger.


Escrito por Newton Goto

março 10, 2009 às 5:19 pm

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