10 – Fronteiras

Fronteiras. Intervenções coletivas em espaço público da cidade de Antonina - PR, junto ao 10º Festival de Inverno da UFPR, 2000. Ação Pele. (Montagem sobre foto de Marli Wunder)
Fronteiras foi um conjunto de intervenções artísticas coletivas realizadas em Antonina, durante o 10º Festival de Inverno da UFPR, em 2000. As propostas desdobraram-se da oficina Caminhando e fazendo arte ambiental, da qual fui orientador. Após o primeiro dia dedicado ao compartilhamento de referências históricas associadas à relação entre arte e ambiente – land art, site specific, instalações, performance, circuitos – e relativas também a algumas questões antropológicas, a exemplo do ritual de nominação kayapó, um trajeto pela cidade foi sugerido aos participantes, percurso feito por diferentes contextos urbanos, passando pelo centro histórico, pela orla da baía, por ruínas, por bairros mais pobres e populares, pelo lugar do início da colonização local, chegando até a fronteira com a floresta e o mangue, ambiente terminal da estrada, da luz elétrica, e também, de uma idéia de civilização. A partir da revisitação e vivência desses lugares, incorporando-os às experiências individuais, algumas propostas de intervenção artística surgiram. Durante uma semana de convívio, permeada de conversas, relações interpessoais e conhecimento do espaço, esses projetos foram discutidos e trabalhados pelos participantes. Formaram-se subgrupos, e entre as ações realizadas, cada qual com sua própria nominação, 3 delas proporcionaram um maior envolvimento dos participantes: Pele, Lodo e Véu. Dentre essas, Pele concentrou e catalisou o fluxo coletivo, convergindo para algo como uma síntese sobre todo o processo em curso.
A acontecimento Pele ocorreu de madrugada, à 01h00min, justamente naquele ambiente percebido como o mais fronteiriço entre a cidade e a floresta. Após uma espontaneamente silenciosa caminhada de quase 1 hora junto com o público (cerca de 20 pessoas), chegou-se ao escuro lugar da “ação dentro da ação”, ao pé e à sombra de uma imensa figueira – por trás da qual a lua cheia brilhava – e sobre um amontoado de pedras cubeificadas – resultado do último avanço da estrada, o fim de linha construído na destruição das rochas em seu caminho, empurrando-as como sobras para a margem. Seguiu-se uma projeção de slides com algumas daquelas imagens referencias sobre arte ambiental usadas no primeiro dia de encontro. Ambientes sobre ambiente, projeções de imagens misturadas à paisagem, derramadas sobre grandes rochas, sobre as pedras cubeificadas, e sobre a pele de pessoas nuas, os performers, que adentravam o local da ação específica deslocando-se sobre o monte de pedras facetadas. O humano e a paisagem em fusão, numa ritual diluição de fronteiras entre arte e natureza, num tênue trânsito entre seus interstícios.
Os participantes mais propositivos de Fronteiras foram Débora Darós, Marli Wunder, Edmar Pereira Alves, Fernanda Colpani, Rubens Pileggi e Goto.